Redes sociais: o que as grandes corporações não enxergaram

Ao contrário do que você vê em outros blogs ou sites, não pretendo lhe dar um ‘mais do mesmo’, mas sim fazer um estudo de caso, fomentando algumas teorias (sórdidas) e apontando algumas conclusões que realizei.

O fato é, as redes sociais não vieram do nada, e assim como a Revolução Francesa e a Independência do Brasil este ‘fenômeno’ só eclodiu depois de quase ter sido escrito no céu, mas como sempre nós, reles mortais e ignorantes, estávamos olhando para baixo e não vimos essa que era uma tendência de mercado, e que no fim foi aproveitada em suma, por universitários (Mark e o Facebook, por exemplo) e grupos independentes de desenvolvimento (como o Instagram, que depois foi adquirido pelo Facebook, de Mark o não graduado e agora bilionário ex-universitário).

O Instagram mesmo acredito ser o melhor exemplo que posso dar a vocês, por ser hoje, junto com o Twitter, a rede social que tem maior concentração de jovens, enquanto o Facebook tem uma média de idade entre os usuários em torno dos 40 anos.

O Instagram nada mais é, na minha opinião, uma evolução natural dos Fotologs, lembram-se deles? Não eram nada mais do que um Blog para Fotos (dã!) e que foi um completo sucesso no início dos anos 2000 quando os scanners e as câmeras digitais começaram a ser barateadas.

Os Fotologs foram um sucesso estrondoso e os sites mais usados nessa época eram o Fotolog, o Flogão e o Uol Fotoblog, em que aos usuários postavam fotos com um pequeno resumo do seu dia, como um diário mesmo, contando alguma idéia, fazendo piada com os amigos e etc (com o clássico “comentem, pls” ao final de cada post).

Assim, as pessoas que seguiam aquele blog, ao se logar no site, podiam fazer comentários nas fotos (o que no fim tornava cada foto um verdadeiro chat de comentários, piadas e risadas).

Era uma coisa simples e fácil, você segue meu fotolog, eu sigo o seu, a gente comenta as fotos um do outro e dá umas risadas.

Opa, peraí. Postar fotos, seguir pessoas e comentar. Isso soa familiar?

A mecânica que os fotologs de antigamente seguiam é a mesmíssima mecânica que o Instagram tem como funcionalidade principal, nesse ponto a inovação é zero. A grande sacada dos desenvolvedores, foi em exatamente mudar o que transmite as fotos para web.

Oras, se eu tenho uma câmera no bolso o dia todo com meu celular, é muito plausível que eu não tenha que plugar um cabo no meu PC, baixar as fotos e postar no meu fotolog. Sim, é lógico, óbvio e tudo mais, mas as grandes companhias de internet/tecnologia da época simplesmente comeram a maior bola de sua história.

Obviamente que estamos nos referindo ao princípio do Instagram. A partir dessa inovação de conceito (não houve a criação de nenhum conceito aqui, pensando na mecânica do fotolog) houveram outras inovações, baseadas nessa, como o Vine. O Vine que inclusive teve sua funcionalidade copiada pelo próprio Instagram, para não perder usuários.

Mas vocês entenderam? Todo princípio que foi seguido por esses dois apps nada mais é do que o reaproveitamento inteligente de algo que já dava muito certo.

Isso sim é inovação, é pegar algo que já existe e dar um novo uso para ele, nesse caso, a câmera do celular passou a ter mais uma utilidade (ou inutilidade), e em vez das fotos irem pegar poeira binária no Flogão, elas foram para um aplicativo, em que as pessoas podem ver as fotos dos amigos (de outro ‘fotolog’), e postar as suas próprias, dali mesmo. Gênio!!!

Quando eu tive essa sacada me achei um zé ruela, sério, não porque nunca usei um fotolog (por n motivos, como ter 9 anos e não tem PC em casa, nos anos 2000), mas porque no fim, prova-se como os desenvolvedores acertaram em cheio numa demanda que a Internet já tinha, mas foi ignorada.

Não sei se os caras que criaram o Instagram usavam algum Fotolog Americano, sei lá, mas tirando o fator insight, genialidade e o fator ‘pura cagada’, o que fez o Yahoo por exemplo, nunca enxergar uma coisa dessas? Responderei para ti contando um causo que vi com os estes olhos que a terra um dia comerá.

Conheci um cara que tinha o cargo de ‘Diretor de Novos Produtos’, que dizia que não usava o Facebook, por que não gostava ¬¬”
Para mim, simplesmente um puta absurdo. Vou explicar o porque:

Sou programador web e logo crio conta em tudo quanto é site, plataforma web e etc, só para vislumbrar quais são as funcionalidades disponíveis e imaginar a forma como as coisas são implementadas. É um exercício, um estudo que me ajuda a pensar em soluções melhores e me motiva a aprimorar tudo o que crio, baseado nos bons resultados observados em outros lugares.

Partindo do item anterior, como um ‘criador de produtos novos’ pode criar (a prolixidade é proposital) algo novo, sem conhecer o que já existe, sem ter intimidade de uso com outras plataformas, sem experimentar não só conceitos que deram certo, mas experimentando conceitos falhos, que é onde teoricamente, está a melhor oportunidade?

Se a internet fosse comparada a nossa galáxia, o Facebook seria, em termos exagerados, o Sol. Não importa o que você acha, simplesmente não dá pra ignorar uma plataforma com essa massa de usuários hoje.

Vejam, não é uma crítica a ele, mas sim ao preconceito que quando se trabalha com internet, principalmente, não se pode ter, para que pelo menos pela curiosidade do estudo, não nos fechemos a nossa caixa de conceitos, achando que o mundo já tem de tudo, porque tudo vem de algum lugar.

Afinal, o Instagram já existia no Fotolog e o Kinect já existia em De Volta Para o Futuro 2 (cena em que Martin McFly joga uma máquina de fliperama sem controles, dentro de uma lanchonete).

Esses visionários, merecem um post próprio.

Até a próxima.